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O programa econômico do PT

O programa econômico do PT, segundo O Globo:

1) Vender papéis da dívida ativa da União para bancos e levantar recursos para obras

2) Adotar sete faixas de alíquotas do Imposto de Renda — a mais alta de 40% para salários acima de R$ 108 mil mensais — e isenção para quem ganha até R$ 3.390

3) Instituir imposto de renda sobre lucros e dividendos e remessa de recursos para o exterior

4) Fim da possibilidade de empresas poderem abater do IR o valor pago como juros para os acionistas

5) Aumentar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) para propriedades improdutivas

6) Mudar tributação sobre cigarros

7) Criar um imposto sobre grandes fortunas

8) Elevar imposto sobre heranças e doações

9) Instituir imposto semelhante ao IPVA para jatinhos e helicópteros

10) Legalizar jogos de azar

11) Volta da CPMF (já encampada)

12) Alterar legislação para acordos de leniência (já encampada)

13) Repatriação de recursos mantidos no exterior (já encampada)

14) Captação de empréstimo na China para financiar empresas brasileiras

http://oglobo.globo.com/brasil/pt-quer-superar-ajuste-com-mais-impostos-emprestimos-da-china-18397060

Postado por Eduardo Graeef em 02/01/16

Luta interna

O pau está comendo no Partido Trabalhista britânico.

Peter Mandelson, ex-ministro de Tony Blair, acusa o novo líder Jeremy Corbyn de empurrar o partido para a extrema esquerda e o desastre eleitoral.
http://www.theguardian.com/…/jeremy-corbyn-labour-future-pe…

O Guardian dá mais detalhes da luta interna.
http://www.theguardian.com/…/jeremy-corbyn-wreck-labour-cha…

Partidos são como famílias disfuncionais; cada um é infeliz à sua maneira.

Mas quase todos, em toda parte, estão feito marisco entre o rochedo trincado da economia e as ondas insurgentes da internet.

Postado por Eduardo Graeff em 31/12/15

Narrativas

Ontem li um artigo de Demétrio Magnoli onde ele argumenta que o impeachment empacou porque “assumiu a forma de uma narrativa suja, incapaz de mobilizar multidões.”

http://oglobo.globo.com/opiniao/a-narrativa-suja-18313257

Não sou bom em prever para que lado vão as multidões. Vou esperar para ver depois do carnaval.

Mas tenho um problema com a ideia de que “nada substitui uma narrativa limpa” para mover as pessoas. Primeiro, porque me soa uma simplificação e um exagero.

Peguem Lula, por exemplo. Se suas narrativas são sujas ou limpas, você decide. Mas elas funcionaram que foi uma beleza enquanto o boom chines das commodities deu gas para o aumento da renda e do consumo dos brasileiros. Ultimamente, depois que o boom passou, nem tanto. Sinal que as pessoas se movem por outras coisas além de narrativas.

Segundo, tenho uma objeção de princípio contra narrativas limpas: desconfio que costumam ser falsas; quanto mais limpas, mais falsas.

Um exemplo disso, do outro lado do planeta, é a reação das autoridades e da maioria do público coreano contra o livro “Confort Women of the Empire”, de Park Yu-ha, uma autora coreana radicada no Japão, que conspurca a narrativa oficial coreana sobre as mulheres usadas como escravas sexuais pelas tropas de ocupação japonesas.

O New York Times tem uma matéria interessante a respeito.

http://www.nytimes.com/…/south-korea-comfort-women-park-yu-…

Dê uma olhada e me diga: dá para confiar em narrativas limpas? Acho que não. Nem dá para apostar nelas como motor da história.

Postado por Eduardo Graeff em 19/12/15

Abre a roda

Meu prédio foi um dos últimos na rua a botar grade. Meus filhos brincavam na entrada do prédio e na calçada, e minha mulher e eu não morríamos de preocupação com isso.
Continuamos retardatários: ainda não botamos clausura, Mas vamos chegar lá.

Eu não acredito muito em prédio de segurança máxima. Se o governo, gastando uma baba, não consegue manter a tigrada dentro das penitenciárias, imagina se o modesto orçamento do nosso condomínio dá para pensar em manter do lado de fora.

Tudo bem, não vou criar caso com meus vizinhos que querem a grade e, provavelmente, a clausura. Mas tem uma coisa que realmente me incomoda: aquela roda para passar pizza e outras encomendas pela grade. Lembra-me a roda dos orfanatos de antigamente. Ou algum troço mais antigo, de castelo medieval, sei lá.

Talvez o que me incomoda na roda da pizza não sejam ecos do passado, mas uma visão de futuro: eu um velho assustado, trancado no prédio, torcendo para o motoboy aparecer trazendo comida, remédio etc. para me passar por aquela roda.

Não tenho nenhum plano genial para o Brasil. Para o mundo, então… Mas acho que ainda dá para pensar em algumas providências práticas para, num prazo não muito longo, aposentarmos a grade, a clausura e - pelo amor de Deus! - a roda.

Postado por Eduardo Graeff em 14/12/15

Fruto venenoso

Um dos escritos mais inspiradores de Benjamin Franklin é um panfleto contra o racismo, motivado por um massacre de índios na Filadélfia. 250 anos depois, há pouco o que acrescentar aos seus argumentos. Se tiver um tempinho, confira aqui.

Franklin, que só frequentou a escola primária, foi aclamado na Europa e em sua terra como o primeiro sábio americano. O melhor de seus talentos como escritor e organizador social ele usou para estimular jovens trabalhadores a adquirir conhecimento e cultivar a capacidade de debater civilizadamente.

É triste que a república fundada por ele ainda chafurde no racismo. Pior, um racismo inspirado pelo anti-intelectualismo que contagia grande parte do povo e da elite política americana, como expõe este artigo.

Além de triste, é angustiante reconhecer que as sementes do anti-intelectualismo também brotam no solo da nossa jovem democracia. Plantadas - que ironia! - por Lula, o autodidata que, em vez de estimular outros trabalhadores a se ilustrar, prefere glorificar sua própria ignorância e espalhar desprezo e ressentimento contra quem estuda. E ainda posa de vítima na hora de provar o fruto venenoso da intolerância que ele mesmo semeia.

Postado por Eduardo Graeff em 24/06/15

Pecados originais

Lula mandou o PT voltar à pureza das origens. Hoje um editorial do Estadão repete o clichê de que o PT se afastou das origens quando Lula, para tomar e manter o poder, assumiu políticas neoliberais e se aliou a políticos picaretas.

Não acredito nessa concepção imaculada do PT. Os pecados do partido no poder se inspiram no revolucionarismo comunista, no populismo católico e, principalmente, no estatal-corporativismo sindicalista, que estão no seu DNA.

As sementes do autoritarismo, irresponsabilidade e corrupção chegaram a Brasília na bagagem de Lula e companheiros. Apenas foram adubadas pelas oportunidades e tentações do poder.

Postado por Eduardo Graeff em 16/06/15

Mais posts

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Artigos


FHC: “Dilma não mostra firmeza na condução”

Fernando Henrique Cardoso, entrevista a Época, 18/03/15
Por que o inimigo principal do Partido dos Trabalhadores é a Social Democracia? E por que transformou em aliados principais aqueles que no passado eles consideravam um empecilho para o avanço da democracia, porque representavam o clientelismo, a fisiologia, o atraso?

‘É importante mostrar que todos se beneficiam com a globalização’

Thomas Piketty, entrevista a O Estado de S. Paulo, 28/11/14
Para economista, sem isso, há riscos de que sejam adotadas soluções nacionalistas. 'É importante mostrar que todos se beneficiam com a globalização'

Sobre a governança das estatais

Armínio Fraga e Marcelo Trindade, O Estado de S. Paulo, 27/11/14
É preciso criar mecanismos legais que efetivamente impeçam a exploração política das companhias públicas. O caminho é o da obrigatória profissionalização das administrações dessas empresas.

A fonte secou

Fernando Gabeira, O Globo, 09/11/14
Um debate nacional sobre a crise da água e, no caso brasileiro, sua enorme repercussão na energia, é mais do que urgente. O governo estava na luta eleitoral e, vencedor, dedica-se agora às escaramuças da partilha do poder. Passamos tanto tempo discutindo se o país estava dividido, e nem nos demos conta de que secou a nascente do rio da unidade nacional.

‘Não é pecado pedir à população economia de água e de luz’

Jerson Kelman, entrevista a O Estado de S. Paulo, 09/11/14
Na avaliação de Kelman, a atual seca é severa e não havia como prevê-la. Mas a estiagem traz uma lição importante: "Temos de ter planos de contingência. Não se pode improvisar numa emergência."

As peripécias administrativas de Haddad

Floriano Pesaro, Folha de S. Paulo, 07/11/14
Haddad ainda não conseguiu nos mostrar a que veio e já tenta nos impingir a ideia de que o problema de São Paulo é o próprio paulistano, que não aceita mudanças. Não é! São Paulo requer uma administração criativa, competente, empreendedora e comprometida com as leis e os avanços.

Pílula do dia seguinte

Fernando Gabeira, O Estado de S. Paulo, 07/11/14
O desdobramento de uma política econômica fracassada e o desenrolar do maior processo de corrupção da história do País devem produzir um debate muito mais próximo da realidade do que uma fantasia novelesca da agenda eleitoral.

Quem perdeu a eleição

Rubens Ricúpero, Folha de S. Paulo, 27/10/14
Lula, Dilma e seu partido escolheram o confronto e a violência verbal como tática para ganhar. Se vencer, a presidente não poderá repetir o que disse Obama em sua posse: "estamos juntos porque escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósitos em lugar do conflito e da discórdia".

Campanha de Aécio Neves pregou para convertidos

Renato Teixeira, entrevista a Folha de S. Paulo, 27/10/14
Responsável pela pré-campanha do senador Aécio Neves (PSDB) até dezembro de 2013, o antropólogo Renato Pereira, 54, diz que Aécio "pregou para convertidos" ao centrar no discurso contra a corrupção. A parceria de Pereira com o tucano acabou por divergências na condução da pré-campanha. Para ele, Aécio deveria sair do "teatro da política" para a "agenda [da vida] real".

Um domingo para sempre

Gustavo H. B. Franco, O Estado de S. Paulo, 26/10/14
Daqui para o final da vida, espero lembrar com serena alegria deste dia de São Evaristo, quando cumprimos com heroísmo uma importante obrigação com o bem-estar de nossos filhos e netos.

Pensem no eleitor

Eduardo Graeff, Folha de S. Paulo, 25/10/14
Reeleição para mandato no Executivo deve acabar? Não - Nos termos e condições em que se propõe, o fim da reeleição para cargos executivos responde mais a uma preocupação de políticos do que a um anseio dos cidadãos.

Os perdedores

Demétrio Magnoli, Folha de S. Paulo, 20/09/14
Na candidatura de Marina Silva, não é difícil traçar círculos de giz em torno de ângulos agudos, superfícies de tensão, contradições represadas. O PT preferiu investir na indignidade, na mentira, na difamação. Por isso, perdendo ou ganhando, já perdeu.
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