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Abre a roda

Meu prédio foi um dos últimos na rua a botar grade. Meus filhos brincavam na entrada do prédio e na calçada, e minha mulher e eu não morríamos de preocupação com isso.
Continuamos retardatários: ainda não botamos clausura, Mas vamos chegar lá.

Eu não acredito muito em prédio de segurança máxima. Se o governo, gastando uma baba, não consegue manter a tigrada dentro das penitenciárias, imagina se o modesto orçamento do nosso condomínio dá para pensar em manter do lado de fora.

Tudo bem, não vou criar caso com meus vizinhos que querem a grade e, provavelmente, a clausura. Mas tem uma coisa que realmente me incomoda: aquela roda para passar pizza e outras encomendas pela grade. Lembra-me a roda dos orfanatos de antigamente. Ou algum troço mais antigo, de castelo medieval, sei lá.

Talvez o que me incomoda na roda da pizza não sejam ecos do passado, mas uma visão de futuro: eu um velho assustado, trancado no prédio, torcendo para o motoboy aparecer trazendo comida, remédio etc. para me passar por aquela roda.

Não tenho nenhum plano genial para o Brasil. Para o mundo, então… Mas acho que ainda dá para pensar em algumas providências práticas para, num prazo não muito longo, aposentarmos a grade, a clausura e - pelo amor de Deus! - a roda.

Postado por Eduardo Graeff em 14/12/15
cidades · envelhecimento, segurança pública
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